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Fonte: http://www.jokamadruga.com/wp-content/uploads/2011/06/calcinha_trat.jpg |
Não, não, caro leitor, não perdi a calcinha por aí, nada disso. Mas este título tem tudo a ver com uma história muito engraçada que presenciei há alguns anos. Uma das coisas mais comuns quando se trabalha em redação é ser convidado para uma press trip. Eu, como todo jornalista de agronegócio, adoro colocar o pé na estrada e essas viagens com um grupo de coleguinhas são bacanas para conhecer de perto o trabalho de empresas, passar por novos locais e claro, fazer novas amizades.
E como não poderia deixar de ser, toda press trip que se preze tem uma
boa história de bastidores para contar. Uma delas, que me faz chorar de rir até
hoje, aconteceu em uma viagem internacional, há alguns anos. Já contei essa
história várias vezes em mesas de bar e em reuniões com amigos, sempre com um
ataque de riso no meio e sem é claro, nunca revelar as identidades verdadeiras
das personagens.
Nosso destino era um país da América do Sul, para uma semana cheia de
coletivas, visitas, pé na estrada e eventos, e claro, com os horários super
apertados. Ao chegarmos no hotel, fomos informados pela empresa que nos
convidou, que ficaríamos em duplas nos quartos. O grupo era grande e como
estávamos cansados da viagem, logo, cada dupla fez seu check-in e subiu para o
quarto, a fim de se preparar para o próximo dia que seria bastante puxado.
Minha companheira de quarto era uma jornalista também brasileira, super
simpática. Ficamos amigas de imediato. Camas escolhidas, malas abertas, eis que
ouço: - Ai meu Deus!! Não é possível, não acredito!!!! Gentilmente perguntei à
coleguinha o que estava acontecendo, e ela: - Esqueci minha bolsa com todas as
calcinhas em casa! E agora?
Passamos os 15 minutos seguintes tentando encontrar uma solução para o
problema. Mas os supermercados e lojas já estavam fechados àquela hora da noite
e a solução seria encontrar uma brecha na programação do dia seguinte para ir
às compras. O problema é que nossa programação incluía visitas a locais
distantes (veja bem, repórteres de agronegócio), como fazendas e áreas
industrias, inclusive em cidades vizinhas. Então, o jeito encontrado pela
colega foi lavar a calcinha no chuveiro e colocá-la para secar presa à janela
do quarto, rezando para que no dia seguinte, ela estivesse, na pior das hipóteses,
úmida.
Na manhã seguinte nosso relógio despertou bem cedo, por volta das 06hs,
apenas a tempo de nos arrumarmos, tomarmos um desajuno e entrarmos na
van rumo à programação do dia. Eu ainda estava criando coragem para sair da
cama quando minha colega de quarto foi em direção à janela, que ficava bem ao
meu lado, para resgatar sua calcinha:
-
Ai, cadê, não acredito, eu coloquei aqui!!!
Eu sem entender nada, mas já imaginando o que poderia ter acontecido,
sento na cama e pergunto à ela, que a essa altura já olhava por trás das
cortinas, embaixo da cama…
-
O que houve?
-
Minha calcinha, eu coloquei aqui ontem à noite pra secar, mas ela
sumiu!!!
Nessa hora, respirei bem fundo para não rir e me levantei para ajudar a
colega a procurar a tal peça. Mas antes de revirarmos o quarto eu resolvi me
debruçar no parapeito da janela, pra verificar se a dita cuja não tinha caído
no apartamento de baixo ou algo assim. Foi quando olhei para o lado esquerdo, e
vi, a tal, a calcinha, esticadinha, estirada, sobre uma árvore, bem em frente
ao hotel, para todo mundo ver. Aí, eu juro que tentei, mas não consegui mais
segurar o riso… Na verdade a gargalhada. Eu ri tanto que sequer consegui
avisá-la com palavras, simplesmente a puxei para a janela e apontei. Caímos as
duas no riso, é claro!!
Depois da crise de riso, restabelecidas, nos restava apenas pensar em um
plano para resgatar a tal calcinha filha única. Aí, como eu já estava pronta
para descer e tomar café e já estávamos em cima da hora, me ofereci para a
missão. Peguei uma sacolinha de supermercado, enfiei no bolso e desci confiante
rumo ao jardim do hotel.
Quando cheguei no térreo, um grupo de coleguinhas já nos aguardava no
saguão. Passei por eles e disse bom dia, saindo em direção à porta de entrada.
Chegando perto da tal árvore da qual brotava calcinha, vi que o jardim era
separado da passagem de hóspedes por grades e placas de metal, seria impossível
resgatar a peça pelo lado de dentro dos portões. Olhei para a rua. Na verdade,
o hotel dava para uma avenida da cidade, que aquela hora já estava
movimentadíssima. Eu não tinha outra escolha a não ser dar a volta, subir no
muro pelo lado de fora até alcançar a tal da árvore guardada a sete chaves.
Confesso que no início saí na calçada meio acanhada, preocupada com a possibilidade de ser confundida com uma ladra ou coisa assim. Nenhum policial jamais acreditaria se eu dissesse que estava ali para resgatar uma calcinha… Então, esperei a calçada ficar vazia, corri em direção ao muro, subi a grade, alcancei a árvore com muito esforço e tchanam, resgatei a calcinha!!! Guardei o item na sacolinha e voltei triunfante para o quarto, certa de que tinha salvado o dia da coleguinha, mas não sem gargalhar mais meia hora outra vez!
2 comentários:
Adorei o texto
Obrigada pelo comentário, pela leitura e pela visita! :)
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